quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Análise do filme “Amor sem escalas”



Pretende-se aqui falar um pouco sobre as mudanças que o mundo do trabalho vem sofrendo. E para tanto faremos uma breve análise do filme “Amor sem escalas” com o roteiro de Sheldon Turner e Jason Reitman.
O filme retrata os dias de hoje, um período onde o advento da tecnologia perpassa várias esferas da vida de uma pessoa e vem sendo usada cada vez mais no mundo do trabalho com objetivos variados.
Em “Amor sem escalas” os personagens principais interpretados por George Clooney e Anna Kendrick (que interpreta uma psicóloga), viajam de avião por diversas cidades em pouco tempo. Pode-se dizer a partir dessa locomoção que as tecnologias aéreas eram utilizadas para encurtar as distâncias entre diversos lugares e consequentemente, ganharem tempo. A função destes personagens na empresa que trabalham é dirigirem-se aos funcionários e demití-los com a justificativa de que eles não correspondem masi ao perfil da empresa; mas ao mesmo tempo em que causam um profundo sofrimento nos funcionários, insentivam-os a reagir.
Com o avanço da tecnologia, a locomoção entre cidades começou a ser repensada no seguinte sentido: “Para quê viajar para exercer uma função que pode ser feita em apenas um lugar, via internet?”. A partir daí as demissões começaram a ser feitas através de um comunicado com a pessoa a ser demitida, em tempo real, via internet. Fato que acabou aumentando ainda mais o distanciamento entre os trabalhadores com diferentes relações de trabalho.
Estas mudanças no mundo do trabalho interferem nas relações pessoais e nas relações de trabalho dos personagens do filme e pode ser observado que não há uma organização por parte dos trabalhadores que colocasse um limite nessa desenfreada demissão. Assim podemos denominar tal demissão, pois sua ocorrência era freqüente. Os funcionários eram tratados como objetos descartáveis que são jogados fora sem nenhuma preocupação.
Ao final do filme percebe-se que os mais qualificados não têm um espaço territorial fixo, pois o protagonista ficava muitos dias ausentes de sua própria casa, por conta de suas viagens freqüentes. Essa desconcentração do espaço físico e a concentração do capital são desafios impostos para a classe trabalhadora.
Não podemos deixar de mencionar que este filme, expressa claramente a manifestação da questão social na sociedade em que vivemos atualmente, onde aqueles que só detêm sua força de trabalho e vendendo-a é a forma que encontram de se reproduzir. Estão passando por momentos de precárias relações de trabalho, num cenário constante de ameaças no que se referem ao desemprego, as mudanças nas formas de contratação de sua força de trabalho, na redução de suas proteções sociais.
A introdução de novas tecnologias, como mencionado acima, possibilita a mobilidade do capital para outras regiões que ofereçam uma força de trabalho mais barata, possibilitando um aumento da lucratividade assim como da exploração da classe trabalhadora.
A reestruturação do capital relacionada com as mudanças no papel do Estado e as transformações em relação ao trabalho, permitem demonstrar que as necessidades sociais que são provenientes de uma relação de produção e do mercado, tendem a desestabilizar a proteção social existente. Assim, conduz a classe trabalhadora ações cada vez mais individuais, seguidas por uma lógica concorrencial que procura transformar essa classe numa simples oferta de trabalho.

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